Me interesso desde sempre pela obra do jornalista e escritor americano Hunter S. Thompson. Bêbado incorrigível, viciado em qualquer porcaria que fizesse a cabeça, fanático por armas, niilista até os ossos, um cínico profissional . Hunter sempre escreveu sobre tudo , de esportes a politica , suas duas grandes paixões , mas era quando escrevia sobre si mesmo que a coisa ficava seria. Criador de um estilo de jornalismo que na falta de algo melhor ele decidiu batizar de Gonzo, Thompson viveu o lado escuro do sonho americano , cambaleando pela contracultura com uma Magnun na cintura e um baseado pendendo dos lábios, destruindo convicções com sua velha Remington. O bom Hunter apanhou de Hell Angels em São Francisco na sua trip para desmistificar os então queridinhos da elite lisérgica made in Haight Ashbury e das cicatrizes tirou um dos seus clássicos, Medo e Delírio Sobre Duas Rodas. Cruzou o deserto de Nevada rumo a Las Vegas a bordo de um Chevy conversível junto com seu advogado Samoano a fim de cobrirem um rally de motocicletas e abastecidos de um infinito estoque de drogas criou uma das mais angustiantes e hilarias parábolas sobre a paranoia americana na era Nixon. Hunter caçou os grandes tubarões,foi um cronista sóbrio mesmo quando bêbado e enxergava como ninguém as armadilhas do poder, se ressentindo terrivelmente dos rumos que a sociedade das décadas de 60\70 vinha tomando. Cansado de tudo e de todos , estourou os miolos em uma ensolarada tarde de Fevereiro . Seu ultimo desejo foi de que suas cinzas fossem misturadas a pólvora e explodidas por uma arma qualquer. Coerente até o final.
O Cândido

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